quarta-feira, 15 de junho de 2011

quandoeutevejo:  São quantos andares? Não consigo contar daqui, talvez quinze ou vinte. Me pergunto a todo momento se vai doer, já ouvi dizerem que só dói, só bate o medo e o desespero nos últimos andares, mas bom, ai já é tarde de mais pra voltar atrás. Eu não sei como cheguei aqui, eu só me lembro de ter chorado muito na noite passada, chorado tanto a ponto de soluçar e me cegar com minhas próprias lágrimas. Lembro quando eu tinha sete, seis anos e me machucava, eu nunca fui de chorar quando me machucava, chorava mesmo quando minha mãe dizia que teria que passar remédio, eu sabia que não ia arder, mas era uma desculpa pra deixar aquele nó na garganta sair, nunca gostei de expor minhas dores para todos verem, é por isso que quando choro, choro escondida, na madrugada, quando todos dormem ou quando me vejo sozinha em casa. Tem tanta gente lá embaixo, dei três passos em direção a ponta do edifício, nesse momento uma mulher, com uma criança de talvez três anos no colo me notou. A criança apontou para mim e a mulher se assustou, segurou firme a criança e chamou por ajuda. Uma linda criança, consigo ver que os olhos dela são claros, talvez azuis ou verdes, não sei ao certo, me faz lembrar seus olhos, aqueles lindos olhos verdes claros que me observavam quando eu acordava sonolenta as três da manhã assustada com algum pesadelo, aqueles olhos que eu vi derramar lágrimas por minha culpa, como eram bonitos. Lembro de como eles quase se fechavam quando você sorria, era uma mistura perfeita de olhos esmeralda com um sorriso de criança. Como era bom o tempo que eu ainda os fazia nascer em seus lábios. Mais um passo, mais pessoas me observando lá em baixo, algumas se abraçam e mordem os lábios, lembro quando você também fazia isso, você me abraçava, e mordia a boca, às vezes a sua, às vezes a minha, mordia mesmo eu dizendo que não era pra morder, tá ai, você sempre foi teimoso, sua teimosia de vez em quando me irritava, muito, mas ai você vinha com aquele seu jeitinho carinhoso, me abraçava, me beijava e falava baixinho “desculpa amor”. Como sinto falta dos teus abraços, dos teus beijos, dos teus carinhos, das suas palavras doces e também das mais amargas que se pode ouvir. Você era uma mistura de sentimentos, sentimentos bons e ruins, mas você continuava o mesmo, nunca mudava, era o meu “bebê”, meu chato, meu amor, como foi que eu deixei tudo isso se perder? Mais um passo, alguém me chama, é sua voz. Será que estou louca? Me viro e te vejo, aqueles olhos tão verdes me encarando, como você fazia quando eu acordava assustada depois de um pesadelo, hoje eles parecem assustado, com medo. Sua boca se movimenta, eu não consigo entender, você diz de novo e eu entendo “Por favor, não!” tudo bem amor, a gente se encontra na eternidade. O vento bate no meu cabelo, os andares passam rápido, eu consigo ver que você se aproximou na ponta do prédio, por favor querido, não pule…   — quandoeutevejo

quandoeutevejo:

São quantos andares? Não consigo contar daqui, talvez quinze ou vinte. Me pergunto a todo momento se vai doer, já ouvi dizerem que só dói, só bate o medo e o desespero nos últimos andares, mas bom, ai já é tarde de mais pra voltar atrás. Eu não sei como cheguei aqui, eu só me lembro de ter chorado muito na noite passada, chorado tanto a ponto de soluçar e me cegar com minhas próprias lágrimas. Lembro quando eu tinha sete, seis anos e me machucava, eu nunca fui de chorar quando me machucava, chorava mesmo quando minha mãe dizia que teria que passar remédio, eu sabia que não ia arder, mas era uma desculpa pra deixar aquele nó na garganta sair, nunca gostei de expor minhas dores para todos verem, é por isso que quando choro, choro escondida, na madrugada, quando todos dormem ou quando me vejo sozinha em casa. Tem tanta gente lá embaixo, dei três passos em direção a ponta do edifício, nesse momento uma mulher, com uma criança de talvez três anos no colo me notou. A criança apontou para mim e a mulher se assustou, segurou firme a criança e chamou por ajuda. Uma linda criança, consigo ver que os olhos dela são claros, talvez azuis ou verdes, não sei ao certo, me faz lembrar seus olhos, aqueles lindos olhos verdes claros que me observavam quando eu acordava sonolenta as três da manhã assustada com algum pesadelo, aqueles olhos que eu vi derramar lágrimas por minha culpa, como eram bonitos. Lembro de como eles quase se fechavam quando você sorria, era uma mistura perfeita de olhos esmeralda com um sorriso de criança. Como era bom o tempo que eu ainda os fazia nascer em seus lábios. Mais um passo, mais pessoas me observando lá em baixo, algumas se abraçam e mordem os lábios, lembro quando você também fazia isso, você me abraçava, e mordia a boca, às vezes a sua, às vezes a minha, mordia mesmo eu dizendo que não era pra morder, tá ai, você sempre foi teimoso, sua teimosia de vez em quando me irritava, muito, mas ai você vinha com aquele seu jeitinho carinhoso, me abraçava, me beijava e falava baixinho “desculpa amor”. Como sinto falta dos teus abraços, dos teus beijos, dos teus carinhos, das suas palavras doces e também das mais amargas que se pode ouvir. Você era uma mistura de sentimentos, sentimentos bons e ruins, mas você continuava o mesmo, nunca mudava, era o meu “bebê”, meu chato, meu amor, como foi que eu deixei tudo isso se perder? Mais um passo, alguém me chama, é sua voz. Será que estou louca? Me viro e te vejo, aqueles olhos tão verdes me encarando, como você fazia quando eu acordava assustada depois de um pesadelo, hoje eles parecem assustado, com medo. Sua boca se movimenta, eu não consigo entender, você diz de novo e eu entendo “Por favor, não!” tudo bem amor, a gente se encontra na eternidade. O vento bate no meu cabelo, os andares passam rápido, eu consigo ver que você se aproximou na ponta do prédio, por favor querido, não pule… — quandoeutevejo

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